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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Treinando em Kyoto




Desde quando assisti o vídeo Holding Up Half The Sky – Women in Aikido, fiquei interessada em conhecer a sensei Yoko Okamoto. Ela viveu por muitos anos nos Estados Unidos e foi aluna, entre outros, de Shibata sensei e Christian Tissier sensei. Em 2003, retornou ao Japão e montou seu dojo em Kyoto que, claro, entrou imediatamente na minha lista de cidades a conhecer.
No Brasil, nós não temos a tradição de ter muitas mulheres de graduação elevada e eu queria muito treinar com alguém de nível técnico como o dela, então no jantar com Yamada sensei, quando comentamos que pretendíamos ir àquela cidade e ele respondeu que tinha uma aluna lá, foi a minha deixa para perguntar se poderíamos visitar seu dojo. Ele disse que sim e que telefonaria para ela para combinar. No dia seguinte, já avisou o dia e o horário em que deveríamos entrar em contato com ela. E no outro dia. E no outro dia também. Como o interesse era meu, confesso que fiquei até meio preocupada porque o treino que eu queria fazer se tornou quase uma visita oficial e acabou envolvendo o resto do grupo que iria a Kyoto. O sensei Severino não iria ao dojo porque pretendia passar parte do dia no templo budista Hoganji mas eu, a Luciana e o Rainer teríamos de ir (e viajar com dogis e tudo o mais na mala).
No horário combinado, ligamos para a sensei, que marcou de nos encontrar na estátua do samurai próximo a uma estação de metrô. Como não nos entendemos muito bem com a numeração da ruas e ela iria se desviar do seu caminho para nos encontrar, fomos na mesma noite caminhando até a tal estátua para não nos atrasarmos no outro dia. Nem era difícil de achar mas até no hotel foi um pouco complicado das pessoas entenderem sobre qual estátua estávamos perguntando.
STP61383O samurai. Imagem: Luciana Fernandes


No outro dia, dez minutos antes do combinado, estávamos os três em frente a estátua quando vemos atravessar a rua uma japonesa vestida de samue (espécie de kimono) azul e vindo decidida em nossa direção. Eu, o sensei  e a Luciana já havíamos brincado muito comentando que a sensei Okamoto iria ficar muito feliz em bater no Rainer, o único homem da turma, então quando a vimos de longe, o primeiro pensamento (e comentário, claro) foi: "Rainer, você está perdido!". A sensei é muito forte e de longe dava para ver o que 32 anos de aikido tinham feito. Apesar disso, ela logo de saída foi muito amável e nos informou que a aula que ela iria ministrar naquele dia seria em um pequeno dojo (Fushimi) e que poderíamos ir até o dojo sede, onde haveria mais gente, espaço e mais aulas. Respondemos que gostaríamos de ir com ela ao Fushimi dojo e pegamos o trem. No caminho, ela contou que esse foi o primeiro lugar onde ela deu aulas quando retornou ao Japão e que depois que a sede havia sido montada (dojo de Nishin), a maioria dos alunos havia migrado para lá, ficando somente alguns poucos que ela não podia abandonar. Também nos fez várias perguntas a respeito do tempo de prática de cada um e da nossa estadia no Japão, lamentando que não pudéssemos ficar mais em Kyoto.
Mesmo o dojo de Fushimi sendo pequeno (ele funciona em um espaço público, um dos quatro tatames desse tipo de Kyoto) e teoricamente com menos alunos, vários eram yudanshas e havia 21 deles treinando. Apesar de descontraída, a sensei é muito firme e bem detalhista nas demonstrações. Além do mais, ela passa por cada aluno aplicando as técnicas em cada um. Ao contrário da maioria dos treinos por aqui, no dojo da Okamoto sensei as pessoas vão se revezando e assim é possível treinar com praticamente todos. Foi um grande treino e ficamos pensando como seria interessante ter um seminário dela no Brasil.


IMG_6520
Nós no Fushimi Dojo. Imagem: Yukiko


Ao final, fizemos as fotos de sempre e trocamos algumas palavras e e-mails com os alunos. Ficamos um pouco chateados de não termos tido tempo de preparar um presente especial para ela e então acatamos a ideia do Rainer de convidá-la para almoçar conosco. Na estação de metrô, ela se distanciou de nós e quando percebemos, já havia nos comprado copos de suco. Imaginem a nossa cara de espanto com tanta gentileza… Fomos a um restaurante que ela nos indicou acompanhados também de uma aluna sua, a Yukiko. Durante o almoço, que durou algumas horas, conversamos muito sobre assuntos divertidos e sobre as diferenças culturais entre o Japão, o Brasil e os Estados Unidos. Lá, ela também nos contou que Yamada sensei já havia telefonado para saber se tínhamos ido treinar e se sabíamos voltar para o hotel. Deve ter sido por isso que ela fez questão de nos levar até a esquina da rua onde estávamos hospedados e comentar o que seria se ela perdesse os alunos do Yamada sensei em Kyoto (é curioso, mas aqui somos alunos do yamada sensei). Nós respondemos que não seria má ideia e ela riu, mostrando um senso de humor que, as vezes, nào está ao alcance da maioria dos estrangeiros que convivem com brasileiros. Nos despedimos com o convite de voltar e ficar pelo menos uma semana treinando por lá. Quem sabe da próxima vez…

2 comentários:

  1. estou adorando seus comentários!!! Acho que seria ótimo ter um seminário dela por aqui...... afinal nunca trouxeram uma mulher, não é??? E me rendi....... tomara mesmo que vc vá em 2011 de volta ao Japão, já vai saber todos os esqueminhas de visitar o país da melhor maneira!!! Beijocas pra vcs!

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  2. Obrigada, Karen! Nao seria otimo um seminario com uma sensei do nivel dela? Eu amaria... Com certeza vou voltar aqui, gostaria de passar mais tempo em Iwama e Kyoto, alem de visita o sul do pais. Olha, leva um tempinho ate acostumar com o ritmo do pais e entender a logica das coisas mas, depois de um tempo, a gente ja esta ate dando informacao, hahahahah! Beijo!

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