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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Treino em Iwama


Como prometido, aqui vai um resumo da nossa ida a Iwama. Na verdade, a cidade de Iwama não existe mais como município independente. Nos informaram que o pequeno vilarejo faz parte geopoliticamente agora de Chiba. A ida para lá leva cerca de duas horas saindo da estação de Shinjuku do JR (Japan Rail). De lá, é preciso ir até a estação Ueno (25 minutos pelo JR) e então pegar o trem que passa em Iwama.
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Valdenir na estação.
Chegando na pequena estação que corta a "cidade", o funcionário que gentilmente nos atendeu (incrível, praticamente todos os japoneses são gentis), ouvindo as palavras "Aikido dojo", rapidamente nos deu um mapa improvisado indicando o caminho. Aparentemente, muitas pessoas aparecem lá procurando o dojo…
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A estação de Iwama e o caminho até o dojo. Imagens: Rainer Gauger
A esta altura o grupo já estava com a animação a toda que nem a falta do almoço conseguiu acabar. Seguindo as indicações, chegamos a um rua bem estreita de onde se avista primeiro o Templo Aiki, que o fundador construiu em 1943. Do outro lado, um pequeno caminho de terra leva ao dojo (este construído em 1945). Um aluno do dojo estava terminando a limpeza do templo e nos recebeu dizendo que o sensei Isoyama logo estaria lá. Ele nos conduziu pela propriedade de onde, aos poucos, apareciam vários outros uchi deshis, todos já de dogi. Mais tarde, um deles me explicou que há sempre dois treinos por dia (um pela manhã e outro a noite) e que esse da tarde era especial e reservado aos dias em que o dojo recebe visitas. Isoyama sensei está se recuperando de um cirurgia no joelho e era a primeira vez que ia ao dojo em muito tempo. Isso explicou em parte a alegria dos alunos internos em poder estar com ele e mostrou a importância desse dia. Aliás, foi interessante observar a disciplina do alunos quando o sensei chegou: todos estavam enfileirados no caminho por onde ele passaria enquanto um aluno abria a porta do carro para ele e outro nos orientava a esperá-lo em seiza numa pequena ante-sala do dojo. Imediatamente depois das apresentações ele disse que iríamos ao templo Aiki e perguntou se estávamos prontos. Dito isso, saiu rapidamente conosco atrás nos esforçando para acompanhá-lo. Acho que a partir daí, tudo aconteceu numa intensidade que a maioria de nós não poderia esperar.
DSC_0143Sensei e o templo Aiki. Imagem: Rainer Gauger



Estar naquele lugar construído pelo O-sensei e participar da pequena cerimônia que ele deve ter feito inúmeras vezes, foi realmente especial. Isoyama sensei nos explicou que, diferente da nossa cultura de ter um só deus, aquele templo foi erguido para 43 divindades (ou kamis) e que isso é arraigado na cultura japonesa e do Ueshiba sensei. Iwama parece ser uma cidade tranquila e aquele local ainda mais. Durante a cerimônia, só se ouvia a voz do sensei e o vento passando pelo templo. Tudo o que pude fazer nessa hora foi agradecer por poder estar ali. Finalmente, o sensei pediu que voltássemos até o dojo e que os alunos fechassem as portas do templo e é claro que não pude deixar de ajudar. Parece bobo, mas imaginei quantas pessoas não-uchi deshis (e mesmo eles) já fizeram isso.

O treino começou e pude continuar a entender os alunos: muitos dos alunos mais novos nunca haviam treinado (ou treinado muito pouco) com o sensei e ele tem um carisma imenso. Nos contou algumas passagens de seu treino com o fundador e fez um treino muito descontraído. O clima era de festa mesmo e dava para sentir o profundo respeito e admiração daquela pessoas por ele. Eu pessoalmente me senti dentro de um dos vários vídeos que assisti do O-sensei. Mágico mesmo… Isoyama sensei fez questão de chamar todos os yudanshas (que bom que fiz exame!) como ukes e é impressionante a força dele. Alguns têm de cuidar das sequelas até hoje. No grupo as vezes se fala: "o que está doendo é o braço do Isoyama sensei?"



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 O dojo de Iwama. Imagens: Rainer Gauger
Depois do treino, fomos convidados a tomar chá na área externa da propriedade e foi um momento muito divertido e informal. O sensei nos fez diversas perguntas e brincou com todos nós a respeito do número de meninas presentes. Havia outros alunos estrangeiros lá e pudemos trocar informações a respeito da rotina deles no dojo, além de endereços e contatos. Quando o sensei precisou se retirar, a cena da fileira dos alunos se repetiu mas todos estavam sorrindo e pareciam bem felizes. Aí podemos dobrar hakamas, nos trocar e tirar algumas fotos antes de iniciar a viagem de volta. Devemos agradecer muito a Yamada sensei que nos proporcionou tudo isso e lembrar que foi um dia muito especial mesmo.


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A turma, antes e depois do treino. Imagens: Ricardo (uchi deshi)



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Lado externo do dojo. Imagens: Rainer Gauger


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Todos fizeram fotos em frente ao templo. Imagens: Rainer Gauger

NOTA 1: Eu levei duas câmeras fotográficas e não lembrei de fazer foto nenhuma. Obrigada aos colegas que me cederam as suas. Todas as imagens sem créditos do blog são minhas e as outras pertencem aos autores citados (direito autoral né, gente?).
NOTA 2: O sensei Severino escreveu um texto sobre a viagem a Iwama no blog da FEBRAI. Confiram!

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